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Flávio Bolsonaro e Lula: o que cada um promete para tirar a economia do aperto em 2027

Flávio Bolsonaro e Lula já entram no jogo da economia para 2027 com agendas muito diferentes e promessas que prometem mexer no bolso do eleitor, segundo levantamento jornalístico com declarações de economistas e dados oficiais. O convite ao debate veio de análises e entrevistas citadas na pauta, que apontam três desafios centrais: o desequilíbrio das contas públicas, a desaceleração do crescimento e o custo de vida com endividamento. Em agosto, a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, número do Banco Central que baliza as propostas e as críticas dos especialistas.

O cenário montado pela matéria traz na linha de frente sinais divergentes: de um lado, o senador Flávio Bolsonaro fala em um “tesouraço” e cita um ajuste fiscal de 1,5% a 2% do PIB nos primeiros 18 meses (entre R$ 190 bilhões e R$ 250 bilhões); do outro, o presidente Lula ampliou despesas durante a campanha, com um pacote que, segundo cálculo da Warren Investimentos, soma quase R$ 200 bilhões até 2030. Economistas advertem que as contas não fecham sem medidas mais profundas.

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O aperto nas contas públicas

A primeira dor de cabeça é fiscal. A dívida crescente reflete gastos maiores que a arrecadação, o que obrigou o governo a se financiar a juros mais altos e encareceu investimentos, num efeito em cascata que afeta a economia real. Flávio Bolsonaro promete cortar ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas e supersalários, além de combater a corrupção, mantendo, segundo ele, o reajuste real do salário mínimo e sem desvincular aposentadorias e benefícios do piso. Já Lula defende o aumento da arrecadação via crescimento econômico e não se comprometeu com cortes de despesas, enquanto manteve propostas sociais com impacto fiscal.

Para economistas, as promessas do candidato do PL soam incompletas. Felipe Salto, da Warren, afirma que reduzir só ministérios e vender ativos não gera economia suficiente para reverter o déficit primário; é preciso mexer em gastos obrigatórios e regimes de isenção. Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, avalia que nenhum dos dois tem, ainda, um plano definido de ajuste fiscal, e que esse debate foi empurrado para depois da eleição.

Entre as medidas apontadas por analistas para um ajuste gradual e com alguma credibilidade estão a redução de 50% das emendas parlamentares, a desindexação da Previdência e dos benefícios do salário mínimo, a submissão dos reajustes dos pisos de Saúde e Educação a um arcabouço fiscal limitando seu crescimento a 2,5% ao ano, a revisão ampla do gasto tributário (incluindo entidades filantrópicas, regimes especiais como o Simples e a Zona Franca de Manaus) e o fim dos supersalários. Rafaela Vitória reforça que medidas críveis envolveriam a desvinculação de gastos obrigatórios.

Crescimento fraco e medidas para acelerar a atividade

O segundo desafio é o ritmo de crescimento. O Boletim Focus do Banco Central registra mediana de expectativas em 1,83% do PIB para este ano e 1,32% para 2027, mas analistas já falam em um patamar próximo a 1% no ano que vem. A desaceleração deve ser influenciada por menor estímulo fiscal em 2026, juros ainda elevados e a forte ocorrência do fenômeno El Niño, que pode derrubar a agropecuária; a 4intelligence projeta queda de 0,7% do setor em 2027.

No manual de propostas, Flávio Bolsonaro aponta medidas para aumentar a oferta e a competitividade: facilitar o licenciamento ambiental, promover um “revogaço” regulatório, acelerar desestatizações, atrair investimentos privados em concessões, reduzir carga tributária e burocracia, flexibilizar o trabalho, estimular fracking e agregar valor a minerais como lítio e nióbio. Lula aposta na atuação estatal para induzir investimento privado, com continuidade de programas como o Nova Indústria Brasil (NIB), uma segunda edição do Novo PAC e o Plano de Transformação Ecológica (PTE), além de medidas para fortalecer consumo via massa salarial e ampliar linhas de crédito para micro, pequenas e médias empresas (como Pronampe, Procred 360 e Acredita).

Bruno Imaizumi, da 4intelligence, diz que um governo regular poderia evitar deterioração fiscal e manter crescimento moderado; um governo melhor implementaria reformas que aumentassem o potencial do país, algo que ele declara ser cético quanto à execução. Rafaela Vitória acrescenta que se o novo governo permitir ao Banco Central cortar juros, a perda de ritmo pode ser limitada e a atividade retomar no fim de 2027 para 2028; sem esse espaço, a desaceleração pode se prolongar.

Custo de vida, endividamento e propostas imediatas

O terceiro ponto é o impacto direto no bolso do eleitor. Em setembro, o salário mínimo de R$ 1.621 comprava 1,76 cestas básicas em São Paulo, contra 1,61 em setembro de 2022 e 2 em 2019. O indicador de famílias endividadas recuou para 81,7% em setembro, ainda que o nível esteja alto e o ambiente financeiro pressione empresas, com pedidos de recuperação judicial em setores como varejo e agronegócio.

Para baratear itens essenciais, Lula propõe valorizar o salário mínimo, controlar a inflação, ampliar apoio à agricultura familiar via Plano Safra, PAA e ATER, baratear energia e retomar o segmento de distribuição de combustíveis pela Petrobras. No campo do endividamento, lançou versões do Desenrola, incluindo a proposta de comprar carteiras com desconto de até 90% para limpar até R$ 150 bilhões em dívidas até meados de 2028.

Flávio Bolsonaro também promete reduzir imposto sobre consumo, simplificar a conta de luz e criar corredores logísticos e capacidade de armazenagem para reduzir custos de transporte e alimentos, além de estimular fertilizantes nacionais. Para dívidas, prevê usar a Caixa para recomprar carteiras e dar carência de seis meses para famílias e um ano para empresas iniciarem pagamentos; a proposta teve reação negativa entre agentes do mercado financeiro, que nas redes sociais a classificaram como um possível “calote bancário”.

Bruno Imaizumi resume o diagnóstico: as propostas até aqui são, em grande parte, paliativas. Para reduzir o custo de vida de forma sustentável e cortar o endividamento será preciso valorizar a moeda e promover reformas estruturantes que tornem possível a queda de juros, o que passa por reequilíbrio das contas públicas.

Especialistas destacam que, depois das eleições, “a realidade vai se impor” e algum ajuste terá de ser feito por qualquer vencedor. Entre os prazos e números mais relevantes citados na cobertura estão o ajuste fiscal prometido por Flávio nos primeiros 18 meses, o impacto de quase R$ 200 bilhões do pacote de Lula até 2030, e a meta do Desenrola de limpar R$ 150 bilhões em dívidas até meados de 2028. Esses prazos e valores devem guiar os próximos passos e a capacidade de ambos os nomes em transformar promessa em resultado.

Fonte da notícia: G1

Jairo Lima

Jairo Lima é investidor, empreendedor digital e fundador do portal O Babado. Formado como técnico em eletrônica, viu a veia da tecnologia se cruzar com a vocação "fofoquerista" que falou mais alto. Apaixonado por cultura pop e bastidores das celebridades, transforma a apuração da vida dos famosos em conteúdo ágil, relevante e com credibilidade.

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