Fundação Rede Amazônica alerta sobre fake news e deepfakes antes do segundo turno
Iniciativa Amazônia Que Eu Quero, da Fundação Rede Amazônica, avisou que eleitores da Região Norte devem checar informações compartilhadas nas redes e em aplicativos de mensagem neste domingo (25), data do segundo turno das Eleições 2026. A orientação tem origem na preocupação com vídeos que simulam jornalistas anunciando pesquisas inexistentes, áudios que imitam vozes de candidatos e imagens que mostram situações que nunca aconteceram, todos com potencial para confundir eleitores e ampliar a circulação de conteúdos falsos.
O alerta coincide com dados do projeto VigIA, desenvolvido pelo Observatório Lupa em parceria com o laboratório Recod.ai da Unicamp, que identificou 920 publicações com uso de inteligência artificial entre 16 de agosto e 28 de setembro, das quais 554 (60%) eram classificadas como deepfakes. Embora esses números sejam nacionais e não contabilizem especificamente os casos na Região Norte, eles ajudam a dimensionar o risco de desinformação na reta final da campanha eleitoral e reforçam a recomendação para checagens cuidadosas antes de compartilhar qualquer conteúdo.
Como identificar fake news e deepfakes
Para reduzir a circulação de informações enganosas, eleitores devem adotar verificações simples e práticas. Primeiro, conferir a origem: procurar a publicação original e checar se o perfil ou site realmente pertence à pessoa, instituição ou veículo jornalístico citado. É comum que conteúdos falsos reproduzam identidade visual de órgãos de imprensa; isso não garante autenticidade. Em seguida, comparar com outras fontes: consultar veículos jornalísticos reconhecidos, páginas oficiais e canais da Justiça Eleitoral para confirmar a informação antes de concordar com ela ou repassar.
Em casos de pesquisas divulgadas em redes, é essencial desconfiar de levantamentos sem identificação: verificar quem realizou o levantamento, quando foi divulgado, qual a metodologia e se há registro eleitoral quando exigido. Mensagens que chegam por grupos e aplicativos merecem atenção especial quando trazem promessas, acusações, resultados de pesquisa ou declarações atribuídas a candidatos, pois esses temas são alvo frequente de desinformação.
Para reconhecer deepfakes, observar o contexto e procurar gravações completas ajuda a identificar edições que tiram falas do lugar original. Sinais técnicos podem levantar suspeitas, como falhas na sincronização dos lábios, iluminação estranha, movimentos pouco naturais ou artefatos na imagem, mas esses sinais isolados não confirmam manipulação. Importante lembrar que o uso de inteligência artificial não torna um conteúdo automaticamente falso; a atenção deve estar na apresentação do material, na transparência sobre manipulação e na veracidade do que é transmitido.
Outro cuidado prático é evitar compartilhar por impulso. Mensagens que provocam medo, indignação ou uma sensação de urgência costumam ser projetadas para viralizar. Quando houver dúvida, a recomendação é não compartilhar o conteúdo até que a autenticidade seja confirmada por fontes confiáveis. Também é possível recorrer a iniciativas de checagem e às páginas oficiais da Justiça Eleitoral para esclarecer dúvidas.
Atenção regional e orientações da Justiça Eleitoral
Na Região Norte, o segundo turno das Eleições 2026 terá desdobramentos específicos: eleitores do Amazonas, do Acre e do Tocantins também votam na disputa pelos governos estaduais, além da votação para a Presidência da República; nos demais estados da área de atuação do Grupo Rede Amazônica, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, o segundo turno se destina à eleição presidencial. Nesse cenário, conteúdos encaminhados em grupos, vídeos publicados em perfis pessoais e imagens atribuídas a veículos de comunicação devem ser avaliados com atenção redobrada, especialmente quando contêm acusações, promessas ou supostas declarações de candidatos.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu regras para o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral, incluindo exigências de identificação de conteúdos sintéticos e restrições ao uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas. Entre as iniciativas de enfrentamento à desinformação, o tribunal mantém a página Fato ou Boato, que reúne verificações de conteúdos relacionados ao processo eleitoral, e disponibiliza o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), ferramenta que permite comunicar fatos notoriamente falsos ou descontextualizados com potencial de prejudicar a integridade das eleições.
Eleitores que tiverem dúvidas sobre uma informação eleitoral podem consultar os canais oficiais do TSE e dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) de cada estado para confirmar dados, procedimentos e orientações. A recomendação das fontes envolvidas na orientação regional é clara: em caso de suspeita, não compartilhar e checar antes de encaminhar, usando as ferramentas oficiais e os serviços de checagem reconhecidos para evitar a propagação de desinformação neste momento decisivo do processo eleitoral.
Por fim, iniciativas locais como a Iniciativa Amazônia Que Eu Quero reforçam a necessidade de atenção dos eleitores da Região Norte e incentivam práticas de verificação simples, que incluem conferir a origem, comparar com outras fontes, checar pesquisas e evitar repassar conteúdos que despertem emoções fortes sem confirmação. Essas medidas práticas constituem as últimas orientações factuais divulgadas pelas fontes até o dia do segundo turno.
Crédito da imagem: Fundação Rede Amazônica/Rede Amazônica
Fonte da notícia: Rede Globo



