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Lula e Flávio prometem aliviar dívidas, mas quem vai pagar a conta?

Lula e Flávio Bolsonaro lançaram, durante a campanha eleitoral de 2026, propostas que prometem aliviar o aperto de milhões de famílias endividadas, mas deixam a pergunta óbvia: de onde saem os recursos? A informação vem de anúncios em lives, debates e atos oficiais, e da sanção recente de uma lei por parte do presidente, registrada na última quarta-feira (21), segundo as fontes consultadas.

O diagnóstico que motiva as propostas também está nos números: a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostra que 81,7% das famílias tinham algum tipo de dívida em setembro de 2026, uma leve queda frente aos 82% de agosto, mas que sinaliza recordes sucessivos ao longo do ano. As propostas variam de perdões a compras de carteiras de crédito, medidas que especialistas e órgãos citados nas fontes analisam com cautela em relação às contas públicas.

No conjunto de informações disponíveis, aparecem detalhes precisos sobre prazos, valores e mecanismos, e também advertências de economistas sobre riscos fiscais e efeitos sobre a oferta de crédito. As medidas tocam desde microempreendedores individuais até programas de transferência de renda e subsídios, o que torna imprescindível entender impacto, escala e fonte de financiamento.

O plano de Flávio e os riscos apontados pelos economistas

O principal pilar apresentado por Flávio Bolsonaro em lives e em debates é a proposta de que o governo compre dos bancos carteiras de dívidas de pessoas e empresas inadimplentes, para que a Caixa Econômica Federal renegocie os contratos com juros menores e prazos mais longos. O plano prevê ainda um período de carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas, durante o qual não haveria cobrança de parcelas.

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Além disso, a campanha do candidato cita programas de estímulo ao bom comportamento financeiro, como o chamado Ganha-Ganha, que oferecerá pontos por manter contas em dia ou por participar de cursos de capacitação. Esses pontos seriam trocados por benefícios como juros menores e cashback. Outra proposta é o ViraPIX, que prevê devolução de parte de pagamentos cotidianos via PIX para aumentar a renda disponível.

Especialistas ouvidos nas fontes alertam para o risco de transferência da dívida privada para o setor público. Para o mestre em economia Murilo Viana, usar a Caixa para esse tipo de operação configura um risco grande de socializar perdas privadas. O economista Daniel Duque, do FGV Ibre, destaca o potencial efeito sobre a oferta de crédito: a expectativa de novas renegociações pode alterar o comportamento de bancos e consumidores, gerando uma forma de risco moral em futuras análises de crédito.

Do lado das contas públicas, a operação de compra de carteiras exige uso de recursos públicos imediatos. As propostas divulgadas pela campanha do PL não detalharam a origem dos recursos nem apresentaram listagem específica de cortes ou compensações. A equipe econômica ligada a Flávio, representada por Daniella Marques, afirma intenção de reduzir gastos equivalentes a 1,5% do PIB e revisar o arcabouço fiscal, mas não informou onde seriam feitas as reduções nem os prazos para implementá-las.

O economista Ricardo Hammoud, do FGV Ibre, avalia que promessas genéricas de ganho de eficiência e cortes pontuais dificilmente permitem cortes profundos, porque grande parte do Orçamento está comprometida com despesas obrigatórias, como aposentadorias, benefícios sociais e salários de servidores. Cortes estruturais exigiriam mudanças legais ou constitucionais, o que não consta em planos detalhados apresentados até o momento.

As propostas de Lula, o perdão a MEI e o impacto no Orçamento

O presidente Lula sancionou nesta semana uma lei que perdoa dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União, abrangendo impostos e contribuições federais, inclusive contribuições previdenciárias em atraso, além de multas, juros e encargos de cobrança. Segundo o governo, a medida pode beneficiar mais de 3,6 milhões de empreendedores e representa um perdão estimado em R$ 12,6 bilhões.

Os MEIs também foram incluídos no programa Desenrola 3.0, voltado à renegociação de dívidas bancárias. No desenho conhecido pelo público, o programa prevê que o governo compre das instituições financeiras carteiras de crédito, com as instituições obrigadas a oferecer descontos de pelo menos 90%. O montante dessas dívidas foi estimado em torno de R$ 6 bilhões nas informações divulgadas.

Especialistas dizem que o perdão elimina receitas que a União tinha a receber e que a compra de carteiras exige desembolso público, com efeitos diretos nas contas fiscais. Juliana Inhasz, professora do Insper, lembra que propostas com apelo eleitoral precisam explicitar a fonte de financiamento para serem exequíveis. Para Ricardo Hammoud, priorizar controle das despesas é necessário para dar espaço fiscal sem comprometer a dívida pública.

Na área tributária, Flávio Bolsonaro anunciou intenção de rever pontos da reforma tributária, reduzir impostos e retomar programas de incentivos, como o Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), que foi encerrado em 2025 pelo governo de Lula por seu alto custo e indícios de irregularidades. Na ocasião, o então ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que manter o programa poderia representar perda de arrecadação de cerca de R$ 20 bilhões em 2025.

Outro ponto técnico citado nas fontes é o mecanismo do split payment, previsto na reforma tributária e pensado para reduzir a sonegação. A proposta de acabar com esse mecanismo foi mencionada pela equipe do PL. O tributarista Lucas Ribeiro estimou que o split payment poderia aumentar a arrecadação federal em R$ 400 bilhões a R$ 500 bilhões por ano, número citado como referência nas discussões sobre espaço fiscal.

Nas propostas de política social, Lula anunciou ampliação de programas como o Pé-de-Meia e do Bolsa Família, manutenção da valorização do salário mínimo, oferta de transporte público gratuito aos fins de semana e subsídios a combustíveis. Essas medidas podem sustentar renda e consumo, mas também aumentam despesas permanentes, caso não haja compensação por receitas adicionais ou cortes equivalentes em outras áreas.

Especialistas ouvidos nas fontes reiteram que, diante do peso das despesas obrigatórias no Orçamento, qualquer ampliação de programas ou perdão de dívidas precisa vir com explicitação clara de fontes de financiamento e avaliação dos impactos sobre a dívida pública. As medidas anunciadas até o momento têm números e prazos parciais, como o limite de faturamento dos MEIs que sobe gradualmente para R$ 140 mil até 2028, mas faltam detalhamentos sobre compensações orçamentárias.

Como fechamento factual, registram-se os principais números que sustentam a discussão: 81,7% das famílias endividadas em setembro de 2026, perdão de cerca de R$ 12,6 bilhões para MEIs, inclusão dos MEIs no Desenrola 3.0 com carteiras estimadas em R$ 6 bilhões, intenção de cortes equivalentes a 1,5% do PIB pela equipe de Flávio e estimativas de ganho de arrecadação com medidas como o split payment na casa dos R$ 400 a R$ 500 bilhões anuais, segundo especialista citado. Esses números permanecem no centro do debate sobre quem, afinal, paga a conta.

Fonte da notícia: G1

Jairo Lima

Jairo Lima é investidor, empreendedor digital e fundador do portal O Babado. Formado como técnico em eletrônica, viu a veia da tecnologia se cruzar com a vocação "fofoquerista" que falou mais alto. Apaixonado por cultura pop e bastidores das celebridades, transforma a apuração da vida dos famosos em conteúdo ágil, relevante e com credibilidade.

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