Detetive da Internet

Vereador Rafael Ranalli é denunciado após divulgar vídeo falso que ligava PT a suposto ritual

Rafael Ranalli, vereador de Cuiabá pelo PL, foi denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) depois de publicar nas redes sociais um vídeo falso que associava o Partido dos Trabalhadores (PT) a um suposto ritual satânico. A postagem atribuía a imagens de uma apresentação religiosa à uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizada na Avenida Paulista, sustentando a tese de que a campanha teria se transformado em ritual. As informações sobre a denúncia e a origem do conteúdo constam dos documentos apontados pela fonte da pauta.

O material divulgado por Ranalli usava imagens de uma apresentação realizada durante a Marcha para Exu e mostrava trecho do cantor Joia de Couro cantando uma música que contém a frase “Satanás, cadê você?”. A postagem vinha acompanhada da chamada “Campanha de Lula vira ritual de invocação” e de uma legenda que tentava vincular as imagens a um comício ocorrido em 11 de outubro, mas as cenas eram de outro evento, realizado em 16 de agosto. Após a repercussão, Ranalli apagou a publicação original e, no dia seguinte à denúncia, publicou uma correção com dois vídeos e a mensagem “Errata: o vídeo da esquerda não é da manifestação de domingo do PT”.

O vídeo, a checagem e a retirada de plataformas

Veículos e iniciativas de checagem classificaram o conteúdo como falso após sua circulação. O UOL Confere, o Aos Fatos e o AFP Checamos apontaram que as imagens utilizadas por Ranalli não eram do ato referido na legenda. Com base nessa diferença de datas e origens, as entidades responsáveis pela checagem concluíram que houve montagem e uso inadequado de imagens que geraram uma narrativa falsa sobre a presença do PT no evento registrado em agosto.

Em 14 de outubro, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que plataformas digitais retirassem do ar vídeos relacionados ao caso. A decisão integra medidas tomadas durante o período eleitoral para conter a circulação de conteúdos considerados desinformação que possam afetar o processo democrático. Os relatos das checagens citadas foram parte do conjunto de elementos que motivaram a ação das plataformas e a atenção da Justiça Eleitoral.

Denúncia e possíveis crimes apontados

A denúncia protocolada junto à Polícia Civil e ao MPMT pede que as autoridades investiguem a possível prática de discriminação religiosa, com agravante por ter ocorrido em ambiente virtual, além de examinar uma eventual prática de injúria racial. O documento argumenta que o conteúdo reforça estigmas contra tradições afro-brasileiras, citando explicitamente crenças e práticas como as da Umbanda e do Candomblé, cuja expressão religiosa foi interpretada de forma equivocada e associada automaticamente a conceitos cristãos de satanismo.

Na peça, os denunciantes destacam que o uso de termos como Satanás e Belzebu na apresentação foi retirado de seu contexto religioso específico e foi apropriado para construir uma narrativa de discriminação. A denúncia pede apuração dos fatos e responsabilização conforme o entendimento jurídico sobre crimes contra a liberdade religiosa, a honra e possíveis agravantes pelo meio virtual. As medidas visam proteger comunidades religiosas de matriz africana frente a estigmatização pública baseada em publicações nas redes sociais.

Vale lembrar que as denúncias e investigações citadas não equivalem a condenações. Caberá às autoridades competentes analisar o material, ouvir envolvidos e testemunhas, e decidir sobre eventual responsabilização criminal ou cível de quem publicou o conteúdo.

Histórico de outras denúncias contra Ranalli

O episódio da divulgação do vídeo falso não é o único envolvendo Rafael Ranalli. Em maio deste ano, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar um caso em que o vereador chamou o colega Daniel Monteiro (Republicanos) de “baitola” durante uma sessão plenária na Câmara Municipal de Cuiabá. O registro desse caso ocorreu em 19 de maio e motivou investigação por suposta injúria e conduta incompatível com o exercício do mandato.

Em 9 de outubro, Ranalli também foi denunciado ao Ministério Público de Mato Grosso por uma publicação no Instagram considerada ofensiva às pessoas da região Nordeste do país. Além disso, o parlamentar foi alvo de denúncia à Justiça apresentada pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e pela Defensoria Pública estadual em razão de declarações feitas durante a apresentação de um projeto de lei que propõe o sexo biológico como único critério para definição de gênero em competições esportivas. As falas foram apontadas por esses órgãos como transfóbicas e desumanizantes em relação à população LGBT+.

Esses episódios compõem um histórico de denúncias e inquéritos envolvendo o vereador, que são procedimentos previstos no ordenamento jurídico para apurar fatos e responsabilidades. Cada caso segue seu rito investigativo, com análise de provas e o direito de defesa assegurado a Ranalli.

Nos próximos passos processuais, as autoridades responsáveis pela denúncia sobre o vídeo que vinculou o PT a um suposto ritual deverão coletar provas, ouvir envolvidos e checar o material original do evento religioso, cuja gravação pertence à apresentação de Joia de Couro na Marcha para Exu de 16 de agosto. A apuração também pode avaliar a dinâmica de reprodução do conteúdo nas redes sociais e a responsabilização de intermediários, caso aplicável.

O caso permanece em fase de investigação e aguarda providências das instâncias competentes. A última informação pública disponível é a apresentação da errata por Ranalli e a abertura de procedimentos pelas autoridades mencionadas, sem que isso represente condenação automática. A decisão final sobre eventuais sanções caberá à Polícia Civil, ao Ministério Público e, se for o caso, ao Judiciário após a tramitação dos processos.

Fonte da notícia: 24 HORAS MT

Jairo Lima

Jairo Lima é investidor, empreendedor digital e fundador do portal O Babado. Formado como técnico em eletrônica, viu a veia da tecnologia se cruzar com a vocação "fofoquerista" que falou mais alto. Apaixonado por cultura pop e bastidores das celebridades, transforma a apuração da vida dos famosos em conteúdo ágil, relevante e com credibilidade.
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