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Transparência Internacional cobra Flávio Bolsonaro sobre R$ 13,7 milhões faturados por seu escritório enquanto era senador

Flávio Bolsonaro é alvo de cobrança pública da Transparência Internacional-Brasil para explicar o faturamento de R$ 13,7 milhões emitidos pelo escritório de advocacia do senador enquanto ele exercia mandato, informação revelada em reportagem do UOL. Segundo a ONG, o caso é “extremamente grave” e exige respostas sobre como uma banca aberta em 16 de abril de 2021 emendou um volume tão alto de contratos em pouco tempo. A apuração do UOL analisou 62 comprovantes emitidos entre janeiro de 2023 e julho de 2026, dados até então inéditos.

O escritório tem como endereço a mansão do senador no Lago Sul, em Brasília, e não declara outros sócios nem funcionários, conforme os documentos examinados. Metade das notas foi emitida para pagamento por outros advogados e a maioria descreve o trabalho apenas como “assessoria jurídica“, expressão que aparece em diversos recibos. A reportagem localizou apenas um processo judicial em que o senador atuou para um cliente relacionado às notas, embora serviços advocatícios possam abranger consultorias e pareceres fora de processos.

No início do caso, a Transpatência Internacional lista seis perguntas formais que devem ser respondidas por Flávio Bolsonaro, incluindo como a banca conseguiu contratos tão altos tão rápido, como os serviços foram efetivamente prestados e por que pagamentos de clientes aparecem em conta apontada como conjunta com o advogado Willer Tomaz, relação que a ONG quer clarificada.

Detalhes dos contratos, clientes e movimentações

Os R$ 13,7 milhões totalizam notas fiscais emitidas pelo escritório entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Entre os comprovantes, constam valores expressivos em nome de outros escritórios e empresas. O maior cliente identificado na lista é o escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, do advogado Edvaldo Nilo de Almeida, que aparece em duas notas de R$ 2 milhões cada, emitidas em agosto de 2025 e outubro de 2025, somando cerca de 29% do faturamento registrado nos documentos. Em contato com o UOL, Nilo informou que os serviços teriam sido prestados em conjunto pelos dois escritórios a clientes privados.

Outros pagamentos relevantes incluem notas que somam R$ 3,3 milhões em favor da Simas Industrial de Alimentos. Escritórios ligados ao advogado Otto Medeiros, amigo do ministro Kassio Nunes Marques, aparecem em documentos que totalizam R$ 2,1 milhões. A banca de defesa do ex-presidente, do advogado Daniel Bettamio Tesser, registra notas que somam R$ 970 mil. Esses lançamentos aparecem em períodos distintos ao longo do intervalo de apuração e concentram parcelas relevantes do faturamento declarado.

Há ainda notas emitidas em abril de 2025 no valor de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria, empresa que constou nas apurações por ter recebido recursos do grupo ligado ao banco de Daniel Vorcaro. As duas notas foram canceladas. Dois dias depois, o escritório emitiu nova nota de mesmo valor para outra empresa cujo sócio-administrador também figura como diretor da Copenhagen, conforme os documentos analisados pelo UOL.

Perguntas da ONG, vínculo com Willer Tomaz e investigação

A Transparência Internacional-Brasil quer explicações específicas sobre a contratação da administradora do escritório, identificada como Letícia Caetano dos Reis, que é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, preso em dezembro de 2025 por suspeita de participação nas fraudes do INSS. A ONG questiona ainda por que o senador teria contratado para cargo da banca a irmã de pessoa detida na investigação dessas fraudes, pedindo esclarecimentos sobre critérios e justificativas da nomeação.

Outra cobrança central é sobre a relação com o advogado Willer Tomaz. A ONG pergunta por que pagamentos de clientes do escritório aparecem em uma conta indicada em notas que, segundo a Polícia Federal, seria de titularidade compartilhada entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Os dois negam a existência de conta conjunta. A suspeita de transações levou à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para apurar movimentações do escritório, o caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A entidade também critica a OAB por suposta resistência à adoção de regras de prevenção à lavagem de dinheiro na advocacia, lembrando que contratos advocatícios fictícios ou superfaturados podem ser usados para ocultar origem de recursos. A ONG lista seis perguntas públicas que deverão ser respondidas, entre elas a forma de prestação dos serviços e a razão para notas emitidas a outros advogados.

Sobre limites ao exercício da advocacia por parlamentares, as normas permitem que senadores atuem como advogados com restrições. Eles não podem integrar a Mesa Diretora do Senado nem atuar em causas que envolvam órgãos públicos, estatais e autarquias, ponto lembrado nas checagens iniciais da reportagem para contextualizar o alcance das atividades profissionais do senador enquanto titular do mandato.

O UOL procurou a campanha de Flávio Bolsonaro e a OAB para posicionamento e informou que o espaço segue aberto para manifestação. A defesa de Willer Tomaz esclareceu, em nota, que mantém com o senador uma amizade pública e conhecida, sem qualquer vínculo financeiro ou societário, informação registrada na apuração. O inquérito no STF permanece como desdobramento formal das suspeitas apontadas nos documentos analisados.

Crédito da imagem: O candidato Flávio Bolsonaro (PL) em sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo Imagem: Reprodução/TV Globo

Fonte da notícia: UOL

Jairo Lima

Jairo Lima é investidor, empreendedor digital e fundador do portal O Babado. Formado como técnico em eletrônica, viu a veia da tecnologia se cruzar com a vocação "fofoquerista" que falou mais alto. Apaixonado por cultura pop e bastidores das celebridades, transforma a apuração da vida dos famosos em conteúdo ágil, relevante e com credibilidade.
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