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Ibovespa cai 0,86% com pesquisa eleitoral; dólar fecha a R$ 5,027

Ibovespa e dólar foram os protagonistas da sessão desta quarta-feira (21), quando o principal índice da Bolsa brasileira encerrou em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos, e o câmbio interrompeu a sequência de baixas, subindo 0,17% para fechar a R$ 5,027. A movimentação ocorreu em meio à reação do mercado à divulgação de uma pesquisa eleitoral que mostrou uma disputa mais apertada a poucos dias do segundo turno, além de ajustes em carteiras após resultados corporativos recentes, segundo relatos de participantes do mercado.

A informação sobre a pesquisa e a expectativa por uma nova sondagem prevista para quinta-feira (22) provocaram um movimento de proteção, segundo o economista sênior Vitor Kayo, da Nomad. Para Kayo, a indicação de maior indefinição no pleito levou parte dos investidores a buscar a segurança do dólar. Já Lucas Xavier, chefe da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destaca que as pesquisas afetam a disposição do mercado para assumir riscos, sobretudo por causa das incertezas sobre o controle das contas públicas no próximo governo.

Na sessão, a Bolsa chegou a operar em alta pela manhã, mas perdeu força ao longo do pregão, pressionada por realização de lucros e por recuos em papéis de grande participação no índice. Além da influência da pesquisa, balanços do terceiro trimestre e expectativas sobre margens empresariais também deram o tom das negociações, com efeitos distintos entre setores e companhias.

Quais ações pesaram e quem se destacou

Entre as quedas mais expressivas do dia, as ações da Hapvida (HAPV3) recuaram 8,48%, liderando as perdas. Em seguida vieram WEG (WEGE3), com baixa de 7,34%, e Cogna (COGN3), que caiu 7,08%. Também registraram perdas relevantes Marcopolo (POMO4), com 5,45%, e Azzas 2154 (AZZA3), que recuou 5,04%. Segundo Lucas Xavier, a pressão sobre WEG tem relação com o balanço do terceiro trimestre, que mostrou margens de rentabilidade abaixo das expectativas do mercado, enquanto outros papéis refletiram ajustes de carteira e realização de lucros.

Do lado das altas, empresas de tecnologia e telecomunicações tiveram desempenho positivo. Totvs (TOTS3) avançou 2,78%, TIM (TIMS3) ganhou 1,73% e Telefônica Brasil (VIVT3) subiu 1,40%. MBRF (MBRF3) valorizou-se 1,46%. A fabricante de aeronaves Embraer (EMBJ3) também teve alta, de 1,11%, movimento parcialmente atribuído por Xavier à valorização do dólar, que favorece empresas com receitas atreladas à moeda americana.

O peso de grandes companhias do setor de commodities e energia no índice também contribuiu para a queda do Ibovespa. As ações da Vale (VALE3) recuaram 2,15% e as preferenciais da Petrobras (PETR4) perderam 0,79%, impactos que, pela representatividade desses papéis, pressionaram o desempenho agregado do índice.

Câmbio, juros e o impacto do cenário externo

No câmbio, a apreciação do dólar frente ao real refletiu tanto fatores domésticos quanto movimentos externos. Segundo Vitor Kayo, a pesquisa eleitoral aumentou a procura por proteção na moeda americana, enquanto a expectativa por uma nova pesquisa agendada para 22 manteve os investidores cautelosos. Além disso, o dólar também se valorizou diante de moedas de países desenvolvidos e de economias exportadoras de matérias-primas, conforme observou o economista.

Os juros futuros apresentaram leve alívio, mas continuaram próximos aos patamares recentes. O contrato para janeiro de 2027 encerrou com taxa de 13,486% ao ano, enquanto os vencimentos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031 ficaram em 12,564% e 12,638%, respectivamente. Para Xavier, apesar do recuo das taxas, os níveis permaneceram próximos aos dos últimos pregões, refletindo a sensibilidade do mercado a eventuais sinais sobre o rumo da política fiscal.

No exterior, bolsas americanas fecharam em alta, impulsionadas por resultados corporativos e por temas ligados à tecnologia. O Nasdaq avançou 1,05%, o Dow Jones ganhou 0,69% e o S&P 500 subiu 0,58%. Investidores acompanharam balanços de grandes empresas de tecnologia e projetaram investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, um tema que segue no radar de Wall Street. Ainda assim, fatores como juros americanos elevados e o petróleo acima de US$ 100 por barril continuaram a ser pontos de preocupação e contribuíram para a volatilidade dos ativos.

O mercado permanece atento aos desdobramentos das pesquisas eleitorais e à temporada de balanços, com ajuste de posições conforme as probabilidades de diferentes cenários políticos e as implicações para o ajuste das contas públicas. A expectativa por novas informações na próxima sondagem de quinta-feira (22) tende a manter a cautela entre investidores, influenciando tanto o fluxo cambial quanto as escolhas em renda variável nos próximos pregões.

Crédito da imagem: Bolsa de Valores, Ibovespa, B3 Imagem: Paulo Whitaker/Reuters

Fonte da notícia: UOL

Jairo Lima

Jairo Lima é investidor, empreendedor digital e fundador do portal O Babado. Formado como técnico em eletrônica, viu a veia da tecnologia se cruzar com a vocação "fofoquerista" que falou mais alto. Apaixonado por cultura pop e bastidores das celebridades, transforma a apuração da vida dos famosos em conteúdo ágil, relevante e com credibilidade.
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